O Marquês de Sade passou para a história como escritor pornográfico e um dos maiores malditos do séc. XVIII. "Graças" a Kraft-Ebing, teve seu nome associado, nos anais psiquiátricos, a uma perversão: o sadismo. Lançou-se sobre ele um manto de equívocos encobridores, sendo bastante recente o reconhecimento da importância de sua obra, hoje inscrita entre os clássicos da Pleiade. Longe de ser um escritor pornográfico (ou, como querem alguns, "erótico"), Sade foi um pensador ético-estético-político que, expondo com uma ferocidade ímpar as estratégias de assujeitamento dos corpos pelo poder, propôs a insurreição permanente como postulado est/ético. Se escolheu a pornografia para fazer de sua filosofia uma máquina de guerra, o fez na contracorrente de seu século, que abraçara a literatura pornográfica como máquina de guerra para a difusão dos princípios iluministas. Fundador do romance moderno e um dos primeiros a introduzir a morte na literatura, como nos indica Foucault, Sade não foi somente um feroz crítico das instituições, da moral e dos costumes em seu tempo, mas um exigente investigador das relações do corpo com a linguagem, sendo dessa perspectiva que o abordo em meus textos. Pensar sua atualidade é o que proponho aqui. Valter A. Rodrigues Visite também: http://valterodrigues.multiply.com Visite tb http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=362383 | |||||||||||
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